AÇÕES DA BRADESCO (BBDC3.SA): DESEMPENHO EM 2025, DRIVERS, MARCOS E RISCOS — O QUE OBSERVAR EM 2026?
Confira o panorama das ações BBDC3 no Brasil, com enfoque em drivers, riscos e projeções
Contexto das operações do Bradesco no exterior
O Bradesco (BBDC3.SA), um dos maiores bancos privados do Brasil, diversifica suas atividades também fora do país, incluindo presença no Brasil através de operações via subsidiárias, serviços de câmbio, trade finance e parcerias estratégicas. Embora o México não represente seu principal mercado, o país tem ganhado importância como plataforma de crescimento dentro da estratégia de internacionalização do banco.
Essa presença ocorre em paralelo à atuação internacional por meio do Bradesco BAC Florida Bank (adquirido em 2019), que serve clientes brasileiros com interesses em países latino-americanos, incluindo o México. Esse movimento visa captar oportunidades derivadas do aumento no fluxo de negócios Brasil–México, incentivado por acordos bilaterais e pelo peso das duas maiores economias da América Latina.
Até 2025, a estratégia do Bradesco no Brasil se fortaleceu diante do foco em serviços financeiros digitais, seguros e crédito a empresas exportadoras. A digitalização dos serviços bancários e a utilização de canais remotos permitiram uma expansão mais eficiente com custos operacionais reduzidos.
A valorização das ações em 2025
Durante 2025, as ações BBDC3 apresentaram uma leve valorização no acumulado do ano, refletindo certa recuperação da confiança do mercado em relação à gestão operacional do banco. O desempenho na B3 está alinhado a outros pares do setor bancário brasileiro, mas com menor volatilidade que os bancos com maior exposição direta à inadimplência do varejo.
No contexto mexicano, as perspectivas políticas internas mais estáveis e expectativas otimistas sobre a política monetária local contribuíram com o apetite por ativos latino-americanos. A demanda por operações de câmbio, financiamento comercial e seguros por empresas brasileiras operando no Brasil também ampliou o espaço para rentabilidade da operação do Bradesco.
Os resultados operacionais do Bradesco, incluindo crescimento de receitas com tarifas e margem financeira resiliente, sustentaram uma performance positiva das ações mesmo diante de um ambiente ainda desafiador em crédito. O guidance de resultados divulgado em meados de 2025 reforçou expectativa de melhoria para 2026, especialmente nas operações fora do Brasil.
Principais fatores macroeconômicos
O desempenho das ações BBDC3 em 2025 foi influenciado por um conjunto de drivers macroeconômicos relevantes. A taxa Selic em patamar declinante no Brasil moderou pressões sobre a margem financeira líquida, mas favoreceu maior volume de concessão de crédito, elevando as receitas. Do lado internacional, a curva de juros estável no Brasil e a recuperação do PIB local criaram um ambiente economicamente mais amigável para bancos com exposição no país.
Além disso, o ajuste cambial entre o real e o peso mexicano trouxe benefícios para receitas ligadas ao comércio exterior, incluindo operações de crédito e seguros atrelados à exportação. Com o fortalecimento das cadeias produtivas regionais e o avanço de acordos comerciais, o papel de intermediação do Bradesco em operações bilaterais foi ampliado, gerando receitas recorrentes em moeda estrangeira.
Tecnologia e transformação digital
Adoção de tecnologias de automação de crédito, onboarding digital para empresas clientes e análise preditiva de risco permitiram ao Bradesco operar com maior agilidade e com menores índices de inadimplência no Brasil. A oferta de produtos digitais – particularmente câmbio e seguros – ganhou tração, sobretudo entre pequenas e médias empresas brasileiras.
Com a base tecnológica do Banco Digital Next, os aprendizados e ferramentas foram parcialmente implementados em operações voltadas ao SaaS bancário, utilizando APIs para ofertar serviços em parceria com players locais. Isso gerou um marco no modelo de negócios internacional do banco e aumentou seu ROI internacional.
Eventos e marcos institucionais
Destaques de 2025 incluem:
- Renovação de acordos de cooperação com bancos locais mexicanos;
- Parcerias com fintechs para distribuição de seguros e crédito;
- Reestruturação de operações internacionais visando eficiência tributária;
- Guidance revisado indicando crescimento de margem bruta operacional de 8% YoY nas unidades internacionais.
Esses fatos contribuíram para ampliar a atratividade das ações BBDC3 dentro de estratégias de alocação que buscam diversificação setorial e geográfica dentro da América Latina.
Riscos regulatórios e cambiais
Para 2026, há riscos importantes que investidores devem observar cuidadosamente. Do ponto de vista regulatório, o México tem avançado em maior supervisão sobre bancos estrangeiros operando regionalmente. Mudanças em regras de capital, compliance e controles de prevenção à lavagem de dinheiro podem impor custos adicionais ou limitar a atuação do Bradesco em certos produtos no país.
No aspecto cambial, a volatilidade no par BRL/MXN pode afetar resultados consolidados e dificultar previsibilidade de margens, especialmente se houver desequilíbrio fiscal no Brasil ou mudanças abruptas na política monetária mexicana. A eventual deterioração das contas externas do Brasil também pode limitar a movimentação de remessas e câmbio corporativo, segmento que vem sustentando parte do crescimento do banco no exterior.
Pressões competitivas
A entrada contínua de novos players digitais no segmento bancário mexicano representa maior competição para o Bradesco no país, especialmente entre clientes corporativos de médio porte. Fintechs locais e internacionais têm oferecido plataformas com taxas e serviços otimizados, pressionando a rentabilidade dos bancos tradicionais.
Além disso, a consolidação bancária na América Latina apresenta desafios adicionais. Fusões entre bancos mexicanos e estrangeiros podem remodelar a estrutura de mercado local, exigindo adaptações estratégicas do Bradesco para manter a presença e as margens em um contexto mais competitivo.
Perspectivas para 2026
Ainda assim, o cenário base para 2026 é de continuidade da expansão internacional do Bradesco, com consolidação de produtos digitais, diversificação da carteira de crédito e serviços financeiros com menor consumo de capital. Com guidance projetando crescimento de receita internacional em torno de 10% a 12%, espera-se que a atuação no Brasil mantenha contribuição positiva ao resultado do banco como um todo.
Investidores devem acompanhar:
- Atualizações regulatórias do setor bancário mexicano;
- Volatilidade cambial BRL/MXN e medidas de hedge adotadas pelo banco;
- Lançamento de novos produtos digitais e parcerias estratégicas;
- Progressos concretos na redução de inadimplência na carteira internacional;
- Reação do mercado a movimentos geopolíticos na América Latina.
Em suma, apesar de um ambiente externo com riscos relevantes, o papel do México dentro da estratégia de internacionalização da BBDC3 deve ganhar relevância em 2026, dentro de uma visão de médio e longo prazo.