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O QUE ACONTECEU COM A AÇÃO DO ITAÚ EM 2025

A ação do Itaú Unibanco (ITUB), maior banco privado do Brasil, virou um dos destaques da Bolsa em 2025. Depois de um 2024 turbulento, o ADR negociado em Nova York disparou cerca de 77% no ano, impulsionado por lucro recorrente recorde, ROE acima de 20% e expansão saudável da carteira de crédito. O mercado reagiu especialmente bem ao resultado do terceiro trimestre, quando o banco entregou crescimento de receita e controle de inadimplência mesmo com Selic elevada. Ao mesmo tempo, o papel ainda negocia a múltiplos considerados baratos para um banco desse porte. Este guia explica, em linguagem direta, o que aconteceu com a ação do Itaú, quais riscos seguem no radar e como o investidor pode interpretar os próximos movimentos.

Fundamentos da alta do Itaú


Em 2025, a pergunta “o que aconteceu com a ação do Itaú?” deixou de ser lamento de investidor preso em topo e virou quase meme de quem ficou de fora da alta. O ADR ITUB, negociado na NYSE, acumulou cerca de 77% de valorização no ano até 24 de novembro, saindo da casa de US$ 4,20 na mínima de 52 semanas para máximas próximas de US$ 7,80. Mesmo após uma correção pontual para a região de US$ 7,40–7,50, o papel segue entregando retorno em linha com alguns dos melhores bancos emergentes do mundo.


Por trás desse rally não há mágica, e sim números. O Itaú entregou no terceiro trimestre de 2025 um crescimento de receita de aproximadamente 12% na comparação anual, sustentado por margens financeiras mais gordas em um ambiente de juros ainda elevados no Brasil. O lucro líquido recorrente bateu perto de R$ 10,3 bilhões, um avanço em torno de 15% sobre o mesmo período de 2024, com retorno sobre patrimônio (ROE) de cerca de 22,5% — patamar que muitos bancos globais só veem em apresentação de pitch, não no balanço real.


A estrutura de negócio também ajudou. Com carteira de crédito projetando expansão de até 8,5% no ano, o banco conseguiu crescer sem abrir mão de qualidade. A inadimplência foi mantida sob controle graças a políticas mais conservadoras em segmentos de maior risco e ao uso intensivo de modelos de crédito baseados em dados, que melhoram a seleção de clientes e o pricing das operações. O custo de crédito, estimado entre R$ 34,5 bilhões e R$ 38,5 bilhões para 2025, ficou em linha com o guidance e bem ancorado frente ao tamanho da carteira.


O grande trunfo é que esse crescimento veio acompanhado de eficiência. Mesmo com despesas operacionais projetadas para alta de 5,5% a 8,5%, o Itaú vem ganhando produtividade com digitalização, automação de processos e racionalização da rede física. Menos fila em agência e mais cliente resolvendo tudo no app não é só comodidade: vira alavanca de margem. Isso explica por que o mercado enxerga o banco como referência de execução entre pares locais e regionais.


Como o mercado precificou o Itaú


O movimento da ação ao longo de 2025 foi praticamente um estudo de caso de como o mercado reprecifica risco quando os resultados entregues são melhores que o consenso. Depois de um 2024 ainda volátil, com receios sobre crescimento e qualidade de crédito, o papel começou o ano barato, negociando perto de múltiplos deprimidos. À medida que os trimestres foram saindo acima das expectativas, o fluxo comprador apareceu — tanto de institucionais locais quanto de estrangeiros hunting for yield em mercados emergentes.


O pico recente próximo de US$ 7,80 veio logo após a divulgação do balanço do terceiro trimestre, quando o banco mostrou que a combinação de ROE acima de 20%, crescimento moderado e controle de inadimplência não era narrativa, era realidade. Nos dias seguintes, a ação realizou levemente, voltando para a faixa de US$ 7,40–7,50, em parte por realização de lucros e em parte pelo humor externo mais cauteloso. Nada fora do script: depois de uma alta de mais de 70%, qualquer candle vermelho ganha destaque em gráfico de curto prazo.


Mesmo assim, o valuation continua sugerindo desconto. Com lucro por ação (EPS) em torno de US$ 1,72 e múltiplo preço/lucro (P/L) próximo de 4,3 vezes, o Itaú ainda negocia abaixo de muitos bancos comparáveis, seja na América Latina, seja em outros emergentes. Para quem olha apenas o gráfico, parece que o papel “andou demais”; para quem olha fluxo de caixa, rentabilidade e dividendos, a história é de um banco gerando caixa de forma robusta e sendo precificado como se o ciclo estivesse no fim.


  • Rentabilidade elevada e consistente, com ROE acima de 20% em 2025.


  • Crescimento da carteira de crédito em ritmo saudável, sem explosão na inadimplência.


  • Gestão de risco conservadora, com custo de crédito dentro do guidance.


  • Eficiência operacional crescente, puxada por digitalização e corte de custos.


  • Dividendos e juros sobre capital próprio atrativos em relação ao preço da ação.



Outro ponto relevante foi a sinalização de conforto de capital. A recompra de cerca de R$ 3,6 bilhões em títulos subordinados Tier 2, com vencimento em 2030, mostrou que o banco tem folga de capital e não precisa carregar um passivo caro desnecessariamente. Para o investidor, esse tipo de movimento costuma ser lido como voto de confiança da própria gestão no balanço, o que reforça a percepção de solidez.


No fundo, o que aconteceu com a ação do Itaú em 2025 foi uma reprecificação de um case que já era conhecido: banco grande, lucrativo, dominante e eficiente. A diferença é que, em um ano em que muitas narrativas de crescimento ficaram pelo caminho, o Itaú entregou exatamente aquilo que prometeu. E, em mercado, quando a execução fala mais alto que o ruído, o preço da ação acaba correndo atrás dos fundamentos.


Riscos e cenários futuros


Por mais que o gráfico de ITUB em 2025 pareça aquele tipo de print que circula em grupos de mensagem com a legenda “era só ter comprado aqui”, a realidade é que o case continua exposto a riscos bem concretos. Banco é, por definição, um negócio alavancado: pequenos desvios em inadimplência, custos de funding ou regulação podem gerar movimentos relevantes no lucro. Entender o que pode dar errado é tão importante quanto celebrar o que já deu certo.


O primeiro vetor de risco é macroeconômico. A alta de juros no Brasil, que ajudou a inflar as margens financeiras do Itaú nos últimos trimestres, não dura para sempre. Em algum momento o ciclo de queda da Selic tende a comprimir spreads, especialmente em linhas mais competitivas. Se a economia desacelerar ao mesmo tempo, a inadimplência pode subir e exigir provisões maiores, o que morde o lucro justamente quando a margem começar a apertar.


Além disso, existe o risco de composição da carteira. O guidance de crescimento de crédito de até 8,5% parece conservador, mas, se a concorrência for mais agressiva em preço, o Itaú pode se ver tentado a afrouxar um pouco o perfil de risco para defender participação. O histórico do banco é disciplinado, porém ciclos de crédito longos sempre geram pressão por volume. Para o investidor, vale acompanhar de perto os dados de atraso por segmento, especialmente em cartões, consignado e empréstimos pessoais sem garantia.


Principais riscos no radar


Quando você pergunta o que aconteceu com a ação do Itaú, a resposta não é só “os lucros subiram”, e sim “o mercado reprecificou os riscos”. Olhando para frente, alguns fatores podem chacoalhar o papel nos próximos trimestres e explicar por que o múltiplo ainda embute um prêmio de risco Brasil.


  • Ciclo de juros no Brasil: cortes mais fortes da Selic reduzem margens financeiras, especialmente em produtos com taxa flutuante.


  • Crescimento e emprego: desaceleração da economia e piora no mercado de trabalho tendem a aumentar inadimplência em pessoa física e pequenas empresas.


  • Concorrência de fintechs e bancos digitais: players nativos digitais forçam o Itaú a investir mais em tecnologia e, às vezes, sacrificar spread para segurar cliente.


  • Risco regulatório e tributário: mudanças em exigências de capital, regras de crédito ao consumo ou impostos sobre o setor podem pressionar a rentabilidade.


  • Câmbio e humor externo: o ADR ITUB reage ao resultado do banco, mas também a fluxos para emergentes, percepção de risco Brasil e movimentos do real frente ao dólar.



Nenhum desses riscos, isoladamente, é suficiente para desmontar o case do Itaú no curto prazo, mas a combinação deles define o múltiplo que o mercado está disposto a pagar. Em anos em que o investidor estrangeiro foge de Brasil, o desconto costuma aumentar mesmo com lucro firme; em ciclos mais benignos, com apetite a risco maior, o mercado normalmente aceita pagar mais caro por um ROE acima de 20%.


Do lado positivo, a fotografia atual de percepção de risco é relativamente construtiva. Casas de análise classificam o papel majoritariamente como “Buy” ou “Outperform”, com preço-alvo concentrado entre US$ 7,50 e US$ 8,50 e cenários mais otimistas enxergando espaço até a região de US$ 9,00. A leitura dominante é a de um banco sólido, que entrega retorno elevado com múltiplo ainda abaixo da média histórica e de muitos pares globais.


Outro dado importante é o short interest baixo, em torno de 0,5% do free float. Isso significa que há poucos investidores apostando pesado contra o papel, o que reduz o risco de uma pressão vendedora estrutural. Correções de curto prazo continuam possíveis, principalmente após uma sequência forte de alta, mas a tese predominante hoje é de carregar Itaú em carteira, não de vendê-lo descoberto esperando um colapso.


Catalisadores para os próximos trimestres


Se 2025 foi o ano em que o Itaú provou que segue sendo máquina de lucro, os próximos trimestres devem testar a capacidade de manter esse nível de entrega. A gestão já sinalizou foco em digitalização, analytics, canais remotos e crescimento em linhas de negócio de maior valor agregado, como seguros, investimentos e meios de pagamento. A atualização de guidance esperada para o início de 2026 deve dar pistas sobre até onde o banco pretende ir em crescimento sem sacrificar rentabilidade.


  • Próximos resultados trimestrais, confirmando ou não a trajetória de lucro, margem financeira e qualidade de crédito.


  • Decisões sobre dividendos e eventuais programas de recompra de ações, que impactam diretamente o retorno total ao acionista.


  • Sinalizações de política monetária e fiscal no Brasil, especialmente o rumo da Selic e a disciplina nas contas públicas.


  • Evolução dos indicadores digitais, como número de clientes ativos no app, engajamento e participação de produtos vendidos pelos canais online.



No curtíssimo prazo, muitos traders enxergam a faixa de US$ 7,20–8,20 como zona natural de consolidação para o ADR, misturando realização de lucro de quem entrou cedo com a entrada tardia de quem “perdeu o bonde”. Padrões gráficos populares, como o clássico cup-and-handle, aparecem com frequência em discussões de curto prazo, mas para o investidor com horizonte mais longo esses desenhos são coadjuvantes perto da capacidade do banco de sustentar ROE elevado e inadimplência sob controle.


Em resumo, o cenário base atual é de continuidade: lucro forte, dividendos previsíveis e algum espaço adicional de valorização, desde que o ambiente macro não desande. O upside talvez não seja tão explosivo quanto o de 2025, mas, em um mundo de yields comprimidos e muita incerteza, carregar um banco grande, bem capitalizado e ainda negociando a múltiplos modestos segue fazendo sentido para muitos investidores. O passo seguinte é traduzir essa leitura em estratégia de carteira, em vez de ficar apenas assistindo ao gráfico — é isso que o próximo bloco aborda.


Depois de um 2024 turbulento, o ADR negociado em Nova York disparou cerca de 77% no ano

Depois de um 2024 turbulento, o ADR negociado em Nova York disparou cerca de 77% no ano

Estratégias para o investidor


Saber o que aconteceu com a ação do Itaú em 2025 é ótimo, mas não paga boleto se isso não se traduz em uma decisão concreta de investimento. A grande lição do ano não é “deveria ter comprado lá atrás”, e sim “que tipo de processo me ajudaria a enxergar oportunidades parecidas daqui pra frente”. Em vez de olhar o gráfico e sofrer, vale usar o caso Itaú como um roteiro de como analisar bancos na prática.


Uma forma simples de pensar é dividir a tese em três pilares: fundamentos, preço e cenário. Fundamentos respondem se o banco é bom; preço diz se esse banco bom está barato, justo ou caro; cenário define se vale a pena aumentar ou reduzir risco agora. Quando esses três vetores apontam mais na mesma direção — como aconteceu com Itaú em boa parte de 2025 —, a probabilidade de a tese funcionar aumenta de forma relevante.


Framework prático para Itaú


Na prática do dia a dia, isso pode ser traduzido em um pequeno checklist que você revisita a cada divulgação de resultados. Não precisa montar planilha digna de banco de investimento: basta acompanhar alguns poucos indicadores e perguntas-chave. Pense nesse framework como um painel de controle, que ajuda a separar ruído de sinal quando o feed de notícias estiver poluído.


  • Resultados trimestrais: o lucro está crescendo de forma consistente, ou o avanço veio de um fator não recorrente, como venda de ativo ou reversão de provisão?


  • Qualidade de crédito: a inadimplência e o custo de crédito estão evoluindo de acordo com o guidance, ou há sinais de deterioração em segmentos específicos?


  • Eficiência operacional: as despesas estão sob controle e a relação custo/receita melhora ao longo do tempo, em linha com a agenda digital do banco?


  • Valuation: o múltiplo preço/lucro e o preço sobre valor patrimonial do Itaú estão acima, em linha ou abaixo da média histórica e de outros bancos comparáveis?


  • Tamanho da posição: qual percentual da sua carteira está em Itaú e como esse risco conversa com seu horizonte de tempo e tolerância à volatilidade?



Responder a essas perguntas a cada trimestre já coloca o investidor pessoa física um passo à frente da maioria dos comentários superficiais de rede social. Em vez de se guiar por frases como “banco não cresce” ou “fintech vai destruir os incumbentes”, você passa a olhar dados: margem, ROE, inadimplência, múltiplos. Isso não garante acerto, mas reduz muito a chance de decisões impulsivas baseadas apenas em manchetes.


Outro ponto importante é alinhar horizonte de investimento. Itaú não é penny stock de turnaround, nem ação de hiper crescimento de curto prazo. É, essencialmente, um gerador recorrente de lucros e dividendos, que tende a recompensar mais quem pensa em anos do que em semanas. Se o seu plano é fazer trade de poucos dias, provavelmente existem ativos mais adequados. Se a ideia é construir uma posição em banco sólido para carregar por ciclos, Itaú faz mais sentido — sempre lembrando de ajustar o tamanho da exposição.


De caso de 2025 a tese de longo prazo


Transformar o rali de 2025 em tese de longo prazo exige listar não só o que pode dar certo, mas também o que quebraria a história. Por exemplo, uma queda estrutural do ROE para patamares bem abaixo de 15%, combinada a aumento persistente de inadimplência, seria um sinal de que o modelo de negócio perdeu vantagem competitiva. Uma mudança regulatória pesada que comprimisse spreads de forma permanente também poderia exigir reprecificação importante do papel.


Por outro lado, há vetores claros de criação de valor se o banco continuar executando: crescimento em serviços de maior valor agregado, monetização da base digital, expansão em seguros e investimentos e novos ciclos de eficiência com uso intensivo de tecnologia e inteligência artificial em crédito e atendimento. Em um cenário em que o Itaú consiga manter ROE elevado mesmo com juros mais baixos, o mercado tende a pagar múltiplos maiores, o que se traduz em retorno adicional além dos dividendos recebidos.


Na montagem de carteira, uma regra prática é evitar concentração excessiva. Por mais que o Itaú seja visto como “porto seguro” entre bancos brasileiros, colocar 30% ou 40% do patrimônio em uma única ação aumenta demais o risco específico. Diversificar entre setores, geografias e moedas reduz o impacto de qualquer surpresa negativa, seja um choque regulatório local, seja um evento macro global inesperado.


Também vale estabelecer, desde o início, critérios objetivos para revisar a tese. Não é porque a ação subiu forte em 2025 que ela está proibida de cair 20% em algum momento. Em vez de reagir ao preço, defina gatilhos com base em fundamentos: se o custo de crédito sair da banda do guidance por dois trimestres seguidos, por exemplo, talvez seja hora de reduzir exposição; se o banco surpreender positivamente por vários trimestres, pode fazer sentido realizar parte do ganho e rebalancear a carteira.


Por fim, lembre que nada aqui é recomendação de compra ou venda. O objetivo é usar a história recente do Itaú como estudo de caso para investir melhor, com mais informação e menos ruído. Quem entende o porquê da alta de 2025 — e o que poderia inverter essa trajetória — fica muito mais preparado para decidir se quer ser apenas espectador do próximo movimento da ação ou protagonista, colocando capital em jogo de forma consciente.


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